Perda gestacional – Enquadramento médico-legal

Artigo escrito em 2023. A legislação laboral está em revisão; confirme a informação nas fontes oficiais indicadas no final.

O acesso aos direitos na gravidez, perda gestacional, licença de maternidade e parentalidade é fundamental para garantir que a mulher e respetiva família possam tomar decisões informadas e fazer escolhas conscientes em relação à sua vida reprodutiva e cuidados parentais. No entanto, muitas vezes esses direitos não são claros ou acessíveis para todos.

Uma das principais razões para o difícil acesso às informações sobre esses direitos pode ser a falta de divulgação e informação pouco clara sobre as leis e regulamentos em vigor. Frequentemente, as informações sobre os direitos reprodutivos e cuidados parentais são fragmentadas e de difícil acesso, o que pode dificultar o entendimento e benefício desses mesmos direitos. Como alternativa à dispersa informação vigente, é fundamental a sua divulgação de forma mais ampla, bem como o acesso a serviços de saúde e aconselhamento adequados. Além disso, é importante combater a discriminação e o estigma em relação a certas escolhas reprodutivas para garantir que todas as mulheres possam fazer escolhas informadas e seguras em relação à sua vida reprodutiva e cuidados parentais.

Interrupção Voluntária da Gravidez

No que diz respeito aos direitos relacionados com a interrupção voluntária da gravidez (IVG), a mulher pode sofrer algum tipo de discriminação e estigmatização, ao lhes ser vedado o acesso aos serviços de saúde e informação fundamentais, sobre os direitos que lhe assistem relacionados com as suas opções reprodutivas. Não fique com dúvidas, saiba as etapas e métodos disponíveis pelos serviços de saúde, no caso de aborto ou interrupção voluntária da gravidez.

Em Portugal, a IVG é legal desde 2007, quando foi aprovada a Lei nº 16/2007. De acordo com a referida lei, esta prática é permitida:

  1. até às 10 semanas de gestação, desde que consentida pela mulher, de forma livre, consciente e responsável.
  2. até às 12 semanas de gravidez, se for indicada para evitar a morte ou danos físicos ou psicológicos graves e duradouros na grávida;
  3. até às 16 semanas se a gravidez resultar de violação ou abuso sexual;
  4. até às 24 semanas, no caso de diagnóstico de doença grave ou malformação congénita incuráveis fetal e,
  5. até ao fim da gravidez, quando constitui o único meio de remover perigo de morte, grave e irreversível lesão para o corpo ou para a saúde física ou psíquica da mulher grávida e/ou quando há inviabilidade fetal.

Ainda existem desafios em relação ao acesso a serviços de IVG, especialmente em regiões mais rurais do país.

A discussão em torno da IVG em Portugal é ainda um tema controverso e muitas vezes polarizado. Existem vozes que defendem que a vida começa na conceção e que a interrupção da gravidez é uma violação desse direito à vida. Por outro lado, há quem defenda que as mulheres devem ter o direito a escolher o que é melhor para si e para a sua saúde e bem-estar, incluindo a interrupção da gravidez.

“Embora o desenvolvimento embrionário e epigenético ocorra de forma contínua, e sem interrupções nem momentos privilegiados, a 10.ª semana foi escolhida por representar, no conhecimento científico, um limiar no desenvolvimento fetal cujo sistema nervoso central não estaria ainda suficientemente desenvolvido para poder haver sensibilidade e dor fetal aquando da IVG, química ou cirúrgica.”  

Parecer 119/CNECV/2022 sobre Interrupção Voluntária da Gravidez

Perda Gestacional

Em Portugal, a perda gestacional é um tema sensível e muitas vezes silenciado, apesar de ser uma experiência comum para muitas mulheres. Não existem estatísticas oficiais sobre o número de perdas gestacionais espontâneas.

A perda gestacional espontânea pode ser devastadora para a mulher e sua família sendo, com frequência, vivido de forma solitária e silenciosa. A falta de suporte emocional adequado pode levar a consequências devastadoras a longo prazo na saúde mental e emocional da mulher. Por conseguinte, é crucial a existência de serviços e profissionais  de apoio especializados no acompanhamento e proteção à mulher que enfrenta uma perda gestacional.

Licença por interrupção da gravidez

No caso de ser confirmado um aborto espontâneo ou ter optado por fazer uma IVG, segundo o Artigo 38.º (Licença por interrupção da gravidez) do Código do Trabalho, tem direito a uma licença de 14 a 30 dias, mediante a apresentação de um atestado médico com a indicação do período medicamente aconselhado. O período de gozo desta licença será liquidada a 100% pela Segurança Social, tendo por base a sua remuneração de referência (média de todas as remunerações – salário bruto nos primeiros 6 meses, dos últimos 8 anteriores ao mês da licença).

Legislação e Jurisprudência

* Dedicámos total cuidado e rigor na construção deste artigo, e como forma de reduzir o risco de alteração das informações adicionámos links oficiais.

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