Antes de explicar o que são os discos de prata e como são utilizados, importa começar pelo que sabemos. A investigação disponível continua a ser escassa e inclui estudos pequenos, realizados com produtos específicos e com limitações que impedem conclusões firmes.
Um ensaio aleatorizado publicado em 2015, com 40 mulheres, relatou uma redução mais rápida da dor no grupo que utilizou um dispositivo de prata. Estudos posteriores acrescentaram alguma informação, mas a evidência permanece insuficiente para afirmar que os discos de prata são superiores aos restantes cuidados ou que produzem o mesmo resultado em todas as mulheres.
A revisão Cochrane sobre tratamentos para mamilos dolorosos concluiu que a qualidade da evidência disponível não permitia recomendar uma intervenção específica. Observou também que, para muitas mulheres, a dor diminuiu para níveis ligeiros entre sete e dez dias após o parto, independentemente do tratamento utilizado.
Perante dor, fissuras ou lesões, é importante compreender a causa e avaliar a mamada, o posicionamento, a pega e a condição da pele antes de acrescentar mais um produto ou dispositivo.
O que são os discos de prata?
A amamentação é um momento de profunda ligação, mas as fissuras e a dor nos mamilos podem transformá-lo num verdadeiro desafio. Para quem procura uma opção considerada natural, os discos de prata surgem frequentemente como uma possível solução.
A prata é um metal utilizado há séculos pelas suas propriedades antibacterianas e anti-inflamatórias. Mais recentemente, estas propriedades foram aplicadas no desenvolvimento de discos concebidos para serem colocados diretamente sobre o mamilo entre as mamadas. O seu uso promove um ambiente húmido, frequentemente associado à cicatrização da pele, e é apresentado como uma forma de ajudar na regeneração tecidular e na prevenção de infeções.
Esta abordagem é muitas vezes preferida aos cremes tópicos, uma vez que não necessita de lavar a mama antes da amamentação e não altera o sabor do leite.
Como utilizar e conservar os discos de prata
A utilização dos discos de prata é simples. Após cada mamada, e sem necessidade de aplicar qualquer creme ou loção, coloca-se uma gota de leite materno no interior do disco de prata, que é depois colocado diretamente sobre o mamilo. O sutiã ou top de amamentação ajuda a manter o disco na posição adequada. – Aconselho a colocar discos absorventes entre o disco de prata e o sutiã ou top de amamentação, de forma a absorver o leite que possa extravasar.
Para garantir a sua conservação, a limpeza necessária é mínima: recomenda-se a lavagem diária com água e sabão neutro, assegurando que ficam bem secos após a limpeza. Com estes cuidados, um par de discos pode ser utilizado ao longo de várias semanas ou mesmo em diferentes períodos de amamentação, sendo frequentemente encarado como um apoio prático para o conforto materno.
Quando procurar apoio especializado
Embora os discos de prata possam ser uma ferramenta útil, a dor durante a amamentação é, muitas vezes, um sinal de que a pega do bebé pode não estar adequada. Na MaterClinic, disponibilizamos Consulta de Amamentação no Pós-Parto e Apoio ao Domicílio, com um acompanhamento focado na compreensão da situação individual de cada família.
O nosso objetivo é devolver-lhe clareza e autonomia para tomar decisões informadas, ajudando a identificar e corrigir as causas das fissuras e da dor na amamentação, de forma a evitar que estas se perpetuem ao longo do tempo.
Partilhamos consigo as referências utilizadas e desejamos-lhe uma maternidade tranquila.
Referências científicas
Marrazzu, A., Sanna, M. G., Dessole, F., Capobianco, G., Piga, M. D., & Dessole, S. (2015). Evaluation of the effectiveness of a silver-impregnated medical cap for topical treatment of nipple fissure of breastfeeding mothers. Breastfeeding Medicine, 10(5), 232–238. Acesso em 08 de fevereiro de 2026. https://doi.org/10.1089/bfm.2014.0177
Dennis, C.-L., Jackson, K., & Watson, J. (2014). Intervenções para o tratamento de mamilos dolorosos em mulheres que amamentam. Cochrane Database of Systematic Reviews, 2014(12), Article CD007366. https://doi.org/10.1002/14651858.CD007366.pub2
